Francisco Matarazzo Sobrinho – Ciccillo Matarazzo

Francisco Antônio Paulo Matarazzo Sobrinho, mais conhecido como Ciccillo Matarazzo, (São Paulo, 20 de fevereiro de 1898 — São Paulo, 16 de abril de 1977) foi um industrial e mecenas ítalo-brasileiro, filho de Andrea Matarazzo um dos irmãos do conde Francesco Matarazzo.

“40 anos em 4 anos”. Com esse pensamento Ubatuba viveu o gosto do desenvolvimento pelas mãos do prefeito Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo. Prefeito pelo partido Social Progressista (PSP), Ciccillo governou Ubatuba de 1964 a 1969 com assessores e secretários como, Nadim Kayat (Jurídico), Luiz Ernesto Kawall (Imprensa), entre outros. Empresário das Indústrias Matarazzo, era uma pessoa reservada, que até então nunca havia participado da vida política. Sua candidatura foi uma surpresa para todos. As forças políticas da cidade se uniram em torno de sua candidatura para impedir que João Coutinho (PTB), oposição, vencesse. Ciccillo Matarazzo foi eleito prefeito de Ubatuba, com Dr. Altivo Simonetti seu vice.

Ciccillo Matarazzo

A Administração Matarazzo foi a semente para tirar Ubatuba da estagnação. A Prefeitura ganhou nova estrutura, com uma burocracia modernizada para melhor atender a população. Criou o código tributário e de obras; regularizou a lei do funcionalismo; fez o levantamento aerofotográfico da cidade; construiu a primeira rede de esgoto do centro; iniciou a obra do estádio de futebol do Perequê Açú, que hoje leva o seu nome; construiu o Coreto da Praça Matriz; trouxe carros de fumacê no combate ao borrachudo; ampliou o Aeroporto; incentivou ainda a educação. O primeiro asfalto do novo traçado da estrada que liga Ubatuba a São Luiz do Paraitinga, foi Matarazzo que conseguiu. Criou o matadouro e abriu a estrada ligando o Rio Escuro ao Monte Valério, além disso, incentivou o turismo dando condições e descentralizando as decisões.

Ciccillo residia no Morro da Prainha. Lá fazia reuniões com governadores, autoridades nacionais, internacionais e lideranças locais.

Impeachment
Ciccillo passou por dois processos de cassação. O primeiro deu-se por sua saída do país sem autorização do Legislativo, o que ocorreu pois, como era presidente da Bienal de Arte e Cultura de São Paulo, eram constantes suas viagens para o exterior, onde representava o país e divulgava Ubatuba. Denúncias de irregularidades moveram o segundo processo de cassação, ambos sem êxito mantendo Ciccillo a frente da Prefeitura.

Após esse desgaste político, em 1967, Ciccillo se considerou mais útil em São Paulo, onde poderia buscar recursos para o município, e solicitou seu afastamento, mas seu vice se recusou a assumir. Passou a ocupar o cargo de prefeito o presidente da Câmara, Fiovo Fredianni, que por dois meses consecutivos não deixou Ubatuba parar.

Após dois meses de afastamento Ciccillo retornou a Prefeitura, e as arestas com o Legislativo já haviam sido aparadas. Os ventos do progresso voltou a soprar em Ubatuba e Cicillo concluiu o Estádio Municipal, abriu novas estradas, o setor de obras girou a todo vapor e o turismo deslanchou como nunca. Após o cumprimento de seu mandato, Ciccillo retornou para São Paulo e se dedicou aos seus próprios negócios.

Francisco Matarazzo Sobrinho, nasceu em São Paulo em 1898, foi diretor de empresas de diversos ramos em São Paulo, um grande incentivador das artes plásticas, e fundou, em 1946, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e, em 1951, a Bienal de São Paulo, entidade que presidiu até a data de sua morte (1977).

Fonte de Informações: Jornal de Bolso – Ano 2 nº 12 – Junho de 1998 – Comunicação Versátil

Moradia de Ciccillo

Em uma carta escrita no dia 09 de junho de 1964, enviada ao vereador Washington de Oliveira, o “Seu Filhinho”, Francisco Matarazzo Sobrinho escreveu:

“Prezado amigo Filhinho. Antes de embarcar para a Europa, onde vou a serviço das boas relações culturais do nosso país, escrevo-lhe esta, pedindo-lhe que aproveite a minha ausência para meditar sobre o que lhe vou expor. Como o amigo sabe, aceitei o cargo de Prefeito Municipal apenas por amor a Ubatuba, terra onde pretendo, se Deus quiser, ver passar a minha velhice. Não houve nenhum outro motivo para a minha decisão. Quis por à disposição do povo de Ubatuba os conhecimentos e a experiência que fui adquirindo durante a vida, quer como homem de indústria, quer como membro de várias comissões de serviços públicos, quer como viajante que teve a oportunidade de conhecer grande parte do mundo civilizado.

Comecei a trabalhar com muito entusiasmo e esse entusiasmo ainda permanece inalterado, não obstante algumas divergências com a Câmara Municipal, divergências das quais penso que a responsabilidade cabe mais a mim do que à Câmara. Espero, daqui por diante, conhecendo melhor o pensamento dos senhores vereadores, fazer com que eles também compreendam melhor os meus objetivos, para que as divergências desapareçam e surja um esforço conjunto que venha a beneficiar ainda mais o povo ubatubano. Chamei para colaborar comigo elementos da minha confiança, mas todos com suficientes títulos de serviços públicos para justificar esta minha preferência. Não me preocupei com intrigas; fiquei e estou acima de qualquer preferência política; estou certo de possuir a serenidade necessária para levar avante o programa que estou idealizando.

E é para esse programa que desejo chamar a atenção de uma pessoa como o ilustre amigo, cuja experiência e sinceridade quero também aproveitar a serviço de um objetivo comum. Eu desejaria, ao terminar o meu mandato de Prefeito, ter deixado lançada as bases de uma administração municipal perfeita, tanto do ponto de vista administrativo, quanto burocrático, que funcione sempre sem qualquer influência pessoal ou política. Queria deixar montada uma máquina com todas as engrenagens em ordem, capaz de realizar e manter em dia um cadastro de todas as propriedades imobiliárias do município com os seus valores exatos; de fiscalizar permanentemente todos os loteamentos; de dar assistência ao povo, de organizar e manter em funcionamento hospitais e escolas; de organizar e manter dinâmico um plano diretor que oriente e discipline o crescimento harmônico da cidade; de criar condições para o aproveitamento racional e saudável das nossas belíssimas praias, fazendo de Ubatuba o centro turístico que o Estado de São Paulo ainda não possui.

Para atender a esse desenvolvimento imediato de Ubatuba, em todos os setores, é absolutamente necessário a colaboração de outros elementos técnicos e administrativos: nós precisamos de mais engenheiros, como precisamos de mais médicos, de mais advogados e mais elementos técnicos. É indispensável estudar isso com profunda frieza, levando em conta as despesas inevitáveis que no começo podem parecer excessivas. Não apenas isso, mas também ter a coragem de enfrentar estes problemas com os nossos próprios recursos, porque não podemos ficar apenas na dependência dos auxílios dos Governos Estadual e Federal, a despeito da boa vontade do nosso governador e dos nossos amigos com influências no Governo da República. Se ficássemos esperando sempre a ajuda de fora, poderíamos perder anos preciosos, quando não a oportunidade de fazer de Ubatuba aquilo com que sonhamos, assegurando-lhe a continuação do desenvolvimento que merece ter.

Peço ao prezado amigo para meditar sobre tudo isso que lhe estou dizendo de forma simples, despreocupado de ambições pessoais e sem ver nesta qualquer desejo de observação ao seu modo de pensar e de encarar os problemas da nossa querida cidade. Deixo-lhe um grande abraço … assinado – Francisco Matarazzo Sobrinho.”

Esta carta foi lida em plenário pelo vereador Washington de Oliveira, na sessão do dia 27 de junho de 1964.

Fonte: Câmara Municipal de Ubatuba 

Memorial “Ciccillo Matarazzo”
O Memorial Ciccillo Matarazzo, em homenagem ao ex-prefeito de Ubatuba, entre 1964 e 1969, Francisco Matarazzo Sobrinho, revela parte da história política da cidade, no Litoral Norte (SP). Inaugurado em 27 de junho de 2008, o espaço contém jornais de época, leis do Executivo, obras literárias, fotos antigas e quadros de ex-prefeitos da cidade.

A ideia do memorial é homenagear aquele que é considerado um dos personagens que, segundo historiadores, foi quem tornou Ubatuba divulgada em todo o País e no mundo. Ele era mais conhecido por Ciccillo Matarazzo, tendo sido prefeito pelo Partido Social Progressista.

Memorial Ciccilo Matarazzo

A galeria é visitada por munícipes e divide espaço com uma sala de computadores e a Biblioteca Municipal de Ubatuba. Alunos da região, conduzidos pelos seus professores, fazem visitações ao memorial para trabalhos escolares. No local, situado na Praça 13 de Maio, nº 52, Centro, encontram-se as mesas de gabinete, medalhas e outros pertences pessoais de Ciccillo Matarazzo. A trajetória do político no litoral também é detalhada em obras independentes que contam o seu constante envolvimento com a arte.

Memorial Ciccillo Matarazzo

Frases de Ciccillo
“Depois de minha morte, ninguém mais se lembrará de mim”, disse Ciccillo Matarazzo ao jornalista Luiz Ernesto Kawall.

“Eu sempre me interessei por arte. Não sei por quê. Somos uma família essencialmente de homens de negócios”.

“Chega a vez de dirigir-me ao povo de Ubatuba. Pouco falei durante a campanha eleitoral. Não sou orador nem sei prometer para não realizar. E ainda só me dirijo ao povo para pedir”,  trecho do discurso de posse de Ciccillo Matarazzo.

“40 anos de progresso em 4 anos de administração”, antes das eleições. “Ontem pedi votos. Hoje, peço colaboração”, depois das eleições.