Pinguim-de-Magalhães: os nossos visitantes do inverno

Quando ouvimos a palavra “pinguim”, a primeira coisa que vem em nossa cabeça é uma ave preta e branca, meio desengonçada (em terra) e que vive no gelo. Mas a realidade não é bem assim. Apesar de todos os pinguins serem encontrados no hemisfério sul e a maioria realmente viver em regiões frias, não são todas as espécies que vivem no gelo. Na verdade, apenas 3 das 18 espécies que existem atualmente dependem do gelo por toda a sua vida. Um exemplo desses animais que não é muito fã dos ambientes gelados é o pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), que em determinada época pode ser encontrado, inclusive, no litoral brasileiro.

Características Gerais
O pinguim-de-Magalhães é um pinguim de porte médio, pesando cerca de 5 kg e medindo aproximadamente 65 cm. Característico de águas temperadas, vive e nidifica (faz seus ninhos) no sul da América do Sul, principalmente na Patagônia argentina e chilena e nas Ilhas Malvinas. Apesar de viver nesses lugares conhecidos por serem gelados e até nevar, ele não gosta de gelo, ficando lá apenas durante a época de reprodução, nos meses mais quentes do ano, entre outubro e março. Quando começa a esfriar, eles migram para águas mais quentes, subindo pelas costas leste e oeste da América do Sul, incluindo a costa brasileira.

Pinguim de Magalhães

Adaptação à Vida Aquática
Os pinguins são aves que não voam; em vez disso, são completamente adaptadas ao nado. Suas asas são modificadas em nadadeiras, as patas possuem membranas que facilitam o nado, possuem uma camada de gordura sob a pele, penas densas e impermeáveis que evitam que se encharquem e seus ossos são bem mais densos do que os das outras aves, o que reduz a flutuabilidade e facilita o mergulho. Todas essas características fazem com que eles sejam as aves que mais se adaptaram à vida aquática e permitem que nadem por vários meses e milhares de quilômetros em suas migrações.

Visitantes do Inverno
Quando o inverno se aproxima na Patagônia, os pinguins-de-Magalhães saem de lá e migram em busca de alimentos em águas mais quentes, chegando até o Peru, pelo oceano Pacífico, e até o sul e sudeste do Brasil, pelo Atlântico. Nessas migrações, os pinguins nadam em grupo e é comum que alguns membros debilitados não consigam acompanhar os outros, podendo se perder e até mesmo encalhar nas nossas praias. Esse é um problema que fica cada vez maior, devido à presença de lixo no mar, que acaba sendo ingerido pelos pinguins; o derramamento de petróleo, que também impacta muito esses animais e toda a vida marinha; e até devido à interação com a pesca e com as redes dos pescadores, em que os pinguins acabam se enroscando.

Pinguim de Magalhães

Quando isso acontece, os pinguins são encaminhados para instituições locais como aquários ou centros de reabilitação de animais marinhos, para serem tratados por profissionais especializados e, posteriormente, devolvidos ao mar; como por exemplo o Instituto Argonauta na cidade de Ubatuba-SP. Infelizmente, muitos não sobrevivem. Alguns não conseguem se recuperar totalmente ou não têm mais condições de retornar ao seu ambiente natural, sendo encaminhados para aquários e zoológicos, onde serão bem tratados e utilizados como embaixadores da educação ambiental, ajudando na conscientização das pessoas, contribuindo para a conservação de todos os outros que estão em vida livre.

O que fazer se encontrar um pinguim na praia?
Agora estamos no outono e logo entraremos no inverno, época com maior incidência de pinguins na costa brasileira. Mas o que devemos fazer se avistarmos algum pinguim na praia ou no mar? Preste atenção nas próximas dicas.
Se ele estiver nadando, não se aproxime, porque ele pode estar saudável e somente de passagem. Apenas curta esse momento incrível. Se ele estiver na areia ou entre pedras, ou nadando, mas com dificuldade, pode precisar ser atendido por especialistas. Neste caso, siga os passos:

  • ligue para um órgão local responsável (aquário, centro de reabilitação de animais marinhos, polícia ambiental, bombeiros, etc.);

  • não puxe o animal pela cabeça, nadadeira ou cauda;

  • isole a área e mantenha curiosos, cachorros e urubus afastados;

  • se possível, deixe o  animal à sombra;

  • mantenha-o aquecido em uma caixa de papelão, coberta por uma toalha ou jornal. Em hipótese alguma o coloque no gelo, pois ele pode morrer de hipotermia;

  • não o alimente: ele pode ter ingerido lixo e estar com dificuldades para comer;

  • Não tente devolvê-lo ao mar: ele está fraco e pode ter perdido sua capacidade de impermeabilizar as penas e de isolamento térmico.

Essas dicas valem não só para pinguins, mas para outros animais também. Seguindo-as corretamente, não tem erro! O animal será tratado e devolvido ao mar assim que estiver recuperado ou encaminhado para um local adequado, você estará ajudando a salvar uma vida e colaborando para a conservação dos oceanos!

Publicado em 18/06/18 em http://www.bioicos.com.br/single-post/2018/06/15/Pinguim-de-Magalh%25C3%25A3es-os-nossos-visitantes-do-inverno
Por: Marcus Farah.
Revisão: Raphaela Duarte, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró

Referências Bibliográficas:
Aquário de São Paulo, Pinguim-de-Magalhães. Disponível em: http://www.aquariodesp.com.br/ru/index.php/pinguim-de-magalhaes. Acesso em: 10 jun. 2018.
Aquário de Ubatuba. Educação Ambiental – Apostila Estagiários. Ubatuba: Aquário de Ubatuba, 2015.
ARGONAUTA, Instituto. O que fazer ao encontrar um animal marinho na praia? Disponível em: http://institutoargonauta.org/. Acesso em: 10 jun. 2018.
CERAM. Pinguim-de-Magalhães. Disponível em: http://www.ufrgs.br/ceclimar/ceram/fauna-marinha-e-costeira/pinguim-de-magalhaes. Acesso em: 10 jun. 2018.
GARRISON, Tom. Fundamentos de Oceanografia. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.