{"id":1361,"date":"2016-04-07T11:20:20","date_gmt":"2016-04-07T14:20:20","guid":{"rendered":"http:\/\/curiosidadesdeubatuba.com.br\/?p=1361"},"modified":"2021-05-04T11:49:42","modified_gmt":"2021-05-04T14:49:42","slug":"comunidade-quilombola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/comunidade-quilombola\/","title":{"rendered":"Comunidades Quilombolas em Ubatuba"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hoje est\u00e3o reconhecidas 4 Comunidades Quilombolas em Ubatuba: <span style=\"color: #000000;\">Quilombo da Ca\u00e7andoca<\/span>, <span style=\"color: #000000;\">Quilombo do Camburi, Quilombo Fazenda Picinguaba e Quilombo Sert\u00e3o do Itamambuca. Para ente<\/span>nder a forma\u00e7\u00e3o da Comunidade Quilombola na regi\u00e3o de Ubatuba, vamos fazer um breve resumo da ocupa\u00e7\u00e3o durante a hist\u00f3ria. At\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, contava com pequenas propriedades agr\u00edcolas de subsist\u00eancia, havendo poucos escravos por propriedade, devido ao pequeno poderio financeiro de seus propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paisagem fundi\u00e1ria mudou com vinda de colonos estrangeiros para a regi\u00e3o, os quais investiram na compra de grandes lotes de terra. Trouxeram, para trabalhar nessas terras, um enorme contingente de popula\u00e7\u00e3o de origem africana. Com o decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o cafeeira, a partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX, muitas fazendas foram abandonadas, loteadas e vendidas. Por\u00e7\u00f5es de terra das fazendas foram ocupadas, ou at\u00e9 mesmo doadas a ex-escravos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O litoral norte permaneceu como uma regi\u00e3o quase isolada at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da rodovia BR 101 (Rio-Santos), na d\u00e9cada de 1970. A partir da\u00ed, a situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de Ubatuba alterou-se mais uma vez, ent\u00e3o com a entrada de grileiros e especuladores imobili\u00e1rios movidos pela facilidade de acesso \u00e0 regi\u00e3o que a rodovia propiciou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas das comunidades quilombolas e cai\u00e7aras, que at\u00e9 ent\u00e3o viviam com relativa autonomia, foram expulsas de suas posses ou se viram obrigadas a vend\u00ea-las. A luta das comunidades quilombolas do litoral norte pela reconquista de suas terras esbarra numa situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria bastante complexa, envolvendo disputas com grandes empresas imobili\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Quilombo da Ca\u00e7andoca<\/strong><\/span><br \/>\nA comunidade remanescente de quilombo da Ca\u00e7andoca e seus moradores de Ca\u00e7andoca foram v\u00edtimas de um violento processo de expropria\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio. V\u00e1rias foram as ocorr\u00eancias policiais, as a\u00e7\u00f5es judiciais e os recursos administrativos que envolveram a comunidade, grileiros e empresas imobili\u00e1rias. O principal conflito deu-se com a empresa Urbanizadora Continental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em setembro de 2006, um passo importante foi dado para garantir os direitos territoriais dos quilombolas de Can\u00e7andoca. O presidente da Rep\u00fablica assinou o decreto de desapropria\u00e7\u00e3o da propriedade incidente nas terras do quilombo. O objetivo dessa desapropria\u00e7\u00e3o foi garantir a titula\u00e7\u00e3o daquela \u00e1rea em nome da comunidade.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4637\" src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capela-na-Ca\u00e7andoca-1.jpg\" alt=\"Capela na Ca\u00e7andoca\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capela-na-Ca\u00e7andoca-1.jpg 1239w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capela-na-Ca\u00e7andoca-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capela-na-Ca\u00e7andoca-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capela-na-Ca\u00e7andoca-1-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem da Comunidade<\/strong><br \/>\nA hist\u00f3ria desta Comunidade Quilombola iniciou-se em 1858, quando o portugu\u00eas Jos\u00e9 Antunes de S\u00e1 comprou a Fazenda Ca\u00e7andoca. A fazenda era dividida em tr\u00eas n\u00facleos administrativos que abrigavam uma casa-sede e um engenho: Ca\u00e7andoca, Saco da Raposa e Saco da Banana. Cada um deles era administrado por um filho de Jos\u00e9 Antunes de S\u00e1: Is\u00eddio, Marcolino e Simphonio. Estes tiveram v\u00e1rios filhos &#8220;bastardos&#8221; com as mulheres negras que trabalhavam nas terras, al\u00e9m dos leg\u00edtimos, frutos de casamento com mulheres brancas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fazenda desmembrou-se em 1881. Filhos e netos leg\u00edtimos do propriet\u00e1rio da fazenda herdaram parte das terras, mas nem todos permaneceram nelas. Uma parte dos ex-escravos mudou-se para outras localidades. Outra permaneceu nas terras da Fazenda Ca\u00e7andoca, na condi\u00e7\u00e3o de posseiros, com autoriza\u00e7\u00e3o para administrar seu pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os filhos bastardos e os ex-escravos deram origem \u00e0s principais fam\u00edlias que hoje formam a comunidade da Ca\u00e7andoca. Na fazenda produziam-se caf\u00e9 e aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar. Depois de seu desmembramento, em 1881, o caf\u00e9 foi paulatinamente substitu\u00eddo pela banana e a mandioca. Estes itens eram vendidos pelos moradores da Ca\u00e7andoca at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a partir desta data que a comunidade passa a enfrentar s\u00e9rios conflitos em fun\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da rodovia BR 101, que liga a cidade de Santos (em S\u00e3o Paulo) \u00e0 capital do Rio de Janeiro. Esta obra teve como consequ\u00eancia a expuls\u00e3o de parte da comunidade de suas terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Conflitos<\/strong><br \/>\nO territ\u00f3rio tradicional da comunidade situava-se nas \u00e1reas da praia e do sert\u00e3o da Ca\u00e7andoca. Os moradores distribu\u00edam-se nas localidades de <a href=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/praia-do-pulso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Praia do Pulso<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/praia-da-cacandoca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ca\u00e7andoca<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/praia-da-cacandoquinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ca\u00e7andoquinha<\/a>, Bairro Alto, Saco da Raposa, S<img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1370 size-full lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Igreja-Quilombola-Ca\u00e7andoca.jpg\" alt=\"Comunidade Quilombola - Igreja na Ca\u00e7andoca\" width=\"344\" height=\"230\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Igreja-Quilombola-Ca\u00e7andoca.jpg 344w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Igreja-Quilombola-Ca\u00e7andoca-300x201.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 344px) 100vw, 344px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 344px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 344\/230;\" \/>\u00e3o Louren\u00e7o, Saco do Morcego, Saco da Banana e Praia do Sim\u00e3o e mantinham entre si um intenso relacionamento, compartilhando origem e tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os moradores de Ca\u00e7andoca foram v\u00edtimas de um violento processo de expropria\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio. V\u00e1rias foram as ocorr\u00eancias policiais, as a\u00e7\u00f5es judiciais e os recursos administrativos que envolveram a comunidade, grileiros e empresas imobili\u00e1rias. Atualmente o territ\u00f3rio de Ca\u00e7andoca conta com 890 hectares de extens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3ria da Espolia\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO trecho da BR 101 que passa por Ubatuba foi constru\u00eddo no ano de 1974. O munic\u00edpio, antes praticamente isolado, passou a ser alvo de especuladores imobili\u00e1rios entusiasmados com a valoriza\u00e7\u00e3o das terras propiciada principalmente pela facilidade de acesso ao local. Por conta disso, v\u00e1rias fam\u00edlias cai\u00e7aras e quilombolas foram pressionadas a abandonarem suas posses no intervalo de poucos meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No lugar de suas posses, sobrevieram principalmente casas de veraneio em condom\u00ednios fechados. Foi o que ocorreu em parte da regi\u00e3o da Praia do Pulso, adquirida pela Urbanizadora Continental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1375 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-ubatuba-21.jpg\" alt=\"Comunidade Quilombola - Centro Comunit\u00e1rio Quilombo da Ca\u00e7andoca\" width=\"1280\" height=\"720\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-ubatuba-21.jpg 3264w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-ubatuba-21-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-ubatuba-21-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-ubatuba-21-1024x576.jpg 1024w\" data-sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1280px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1280\/720;\" \/>Segundo os relatos de moradores da comunidade, a negocia\u00e7\u00e3o com os agentes imobili\u00e1rios foi marcada pela press\u00e3o e pela coer\u00e7\u00e3o. Os valores pagos \u00e0s posses, quando pagos, eram muito baixos. Al\u00e9m disso, eram constantes as amea\u00e7as \u00e0queles que n\u00e3o aceitassem as propostas ou se recusassem a sair das terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a maior parte das pessoas n\u00e3o sabia ler ou escrever, foi facilmente enganada por grileiros que usaram de m\u00e1-f\u00e9 para expulsar da regi\u00e3o diversas fam\u00edlias. Houve casos em que a viol\u00eancia foi maior. Homens armados que &#8220;chegavam de noite, atirando&#8221;, casas queimadas e fam\u00edlias expulsas \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os que resistiram e conseguiram ficar nas terras, as dificuldades foram muitas. Foram proibidos de construir ranchos para barcos e de usar as praias de Ca\u00e7andoca e de Ca\u00e7andoquinha para fins de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conflito com a Urbanizadora<\/strong><br \/>\nEm 1974, a Urbanizadora Continental adquiriu parte da regi\u00e3o do Pulso e da Ca\u00e7andoca ocupada pela comunidade quilombola. Na \u00e1rea do Pulso foi constru\u00eddo um condom\u00ednio de casas de veraneio de alto padr\u00e3o. J\u00e1 na Ca\u00e7andoca, \u00e1rea reivindicada com prioridade pelos quilombolas, nenhuma edifica\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda, nem existe l\u00e1 qualquer atividade produtiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Urbanizadora Continental apresenta um t\u00edtulo de propriedade de uma \u00e1rea de 210 hectares no territ\u00f3rio da Ca\u00e7andoca, apesar de manter rigorosa vigil\u00e2ncia sobre uma \u00e1rea de 410 hectares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o da empresa com a comunidade foi sempre conflituosa. Entre 1974 e 1985, a Urbanizadora Continental bloqueou a passagem de autom\u00f3veis na \u00e1rea que vai do Condom\u00ednio do Pulso at\u00e9 a Praia da Ca\u00e7andoca. Impediu, com isso, o acesso dos moradores ao transporte rodovi\u00e1rio, prejudicando principalmente o transporte de mercadorias e de pessoas doentes. Tamb\u00e9m em 1974, a empresa tentou demolir a igreja, localizada na Praia da Ca\u00e7andoca, considerada um patrim\u00f4nio coletivo da comunidade quilombola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Resist\u00eancia dos Quilombolas<\/strong><br \/>\nMuitos dos apelos da comunidade foram considerados improcedentes, ou at\u00e9 mesmo foram desconsiderados. Mas, apesar das negativas, o grupo n\u00e3o deixou de se mobilizar e reivindicar seus direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1997, ocuparam uma \u00e1rea reivindicada por eles e que, supostamente, pertence \u00e0 Continental. Em setembro de 1998, a empresa entrou com uma a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse e ganhou uma liminar que obrigou os quilombolas a abandonarem as terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1998, fundaram a Associa\u00e7\u00e3o da Comunidade dos Remanescentes do Quilombo da Ca\u00e7andoca e entraram em contato com a Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Terras do Estado de S\u00e3o Paulo &#8220;Jos\u00e9 Gomes da Silva&#8221; (ITESP), que deu in\u00edcio ao processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria da \u00e1rea requerida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 2001, realizaram uma segunda ocupa\u00e7\u00e3o. Cerca de 30 fam\u00edlias retornaram para uma pequena faixa de terra localizada ao longo da estrada vicinal que liga Ca\u00e7andoca \u00e0 rodovia BR 101. Desta vez contaram com o apoio do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que solicitou ao juiz de Ubatuba que fosse revogada a liminar de reintegra\u00e7\u00e3o de posse anteriormente concedida \u00e0 Urbanizadora Continental. O juiz atendeu a este pedido, mas n\u00e3o a outro feito pelo MPF: o de que se concedesse prote\u00e7\u00e3o \u00e0 posse coletiva exercida pela comunidade da Ca\u00e7andoca sobre a \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o seguiu at\u00e9 que, em abril de 2005, o juiz revalidou a decis\u00e3o liminar de reintegra\u00e7\u00e3o de posse em favor da Urbanizadora Continental. O ITESP interferiu, atrav\u00e9s da propositura de uma a\u00e7\u00e3o cautelar, conseguindo com que o Tribunal de Justi\u00e7a cassasse a liminar e n\u00e3o houve reintegra\u00e7\u00e3o de posse. A empresa entrou com recurso contra essa decis\u00e3o, mas at\u00e9 dezembro de 2006, nem o recurso nem a a\u00e7\u00e3o possess\u00f3ria haviam sido julgados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em setembro de 2006, a luta de Ca\u00e7andoca para fazer valer os seus direitos frente a Urbanizadora Continental conquistou uma importante vit\u00f3ria. O governo federal decidiu desapropriar as terras pertencentes a empresa para poder titul\u00e1-las em nome dos quilombolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1377 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-Canto-Direito-6.jpg\" alt=\"Comunidade Quilombola - Ca\u00e7andoca\" width=\"1280\" height=\"720\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-Canto-Direito-6.jpg 4128w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-Canto-Direito-6-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-Canto-Direito-6-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ca\u00e7andoca-Canto-Direito-6-1024x576.jpg 1024w\" data-sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1280px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1280\/720;\" \/>Estima-se que, na d\u00e9cada de 1960, a popula\u00e7\u00e3o total da comunidade da Ca\u00e7andoca era de cerca de 70 fam\u00edlias, somando 800 pessoas. Esse n\u00famero diminuiu consideravelmente ap\u00f3s a expuls\u00e3o de diversas fam\u00edlias em fun\u00e7\u00e3o dos conflitos envolvendo suas terras. V\u00e1rias das fam\u00edlias que tiveram de deixar Ca\u00e7andoca residem em cidades pr\u00f3ximas do litoral e do Vale do Para\u00edba, e mant\u00eam contato com os que permaneceram na comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atividades Produtivas<\/strong><br \/>\nA economia da comunidade \u00e9 caracter\u00edstica da popula\u00e7\u00e3o cai\u00e7ara da regi\u00e3o, estando baseada na atividade pesqueira e na agricultura familiar, voltada prioritariamente para o auto consumo. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, os principais itens agr\u00edcolas produzidos pela comunidade eram a farinha de mandioca, o feij\u00e3o, o arroz e a cana-de-a\u00e7\u00facar (para rapadura e aguardente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a pesca e a coleta de mariscos al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de banana s\u00e3o as principais atividades produtivas. Muitos quilombolas tamb\u00e9m trabalham em servi\u00e7os dom\u00e9sticos nas casas de veraneio do Condom\u00ednio do Pulso. O ecoturismo \u00e9 uma iniciativa recente da comunidade para a capta\u00e7\u00e3o de recursos. O ITESP tem apoiado essa iniciativa por meio da capacita\u00e7\u00e3o de monitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Quilombo do Camburi<\/strong><\/span><br \/>\nA Comunidade Quilombola do Camburi \u00e9 constitu\u00edda por 50 fam\u00edlias e est\u00e1 localizada no munic\u00edpio de Ubatuba, litoral norte de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 na fronteira com o munic\u00edpio de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro. Os quilombolas ocupam a \u00e1rea do Camburi h\u00e1 aproximadamente 150 anos. Ocupando um local extremamente valorizado como ponto tur\u00edstico, a comunidade sofreu e sofre toda a sorte de press\u00f5es para deixar suas terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Quilombo do Camburi abrigou, no in\u00edcio de sua ocupa\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios n\u00facleos de escravos fugidos de fazendas de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Hist\u00f3rico da Comunidade<\/strong><br \/>\nSegundo relatos dos moradores da comunidade, um grupo de negros, liderado por uma escrava chamada Josefa, que vieram fugidos de fazendas da regi\u00e3o de Paraty, no Rio de Janeiro, teria sido um dos primeiros a ocupar a \u00e1rea. Muitos moradores se referem \u00e0 escrava Josefa como uma &#8220;parenta&#8221; distante e o lugar onde ela teria se refugiado at\u00e9 hoje se mant\u00e9m na comunidade como um marco hist\u00f3rico: a Toca da Josefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O levantamento de documentos hist\u00f3ricos realizado por pesquisadores do ITESP mostrou ter havido, tamb\u00e9m nessa \u00e1rea, uma fazenda denominada Cambory. A Fazenda Cambory n\u00e3o fugia ao padr\u00e3o das outras fazendas do litoral norte dessa \u00e9poca (s\u00e9culos XVIII e XIX): grandes propriedades que tiveram, num primeiro momento, engenhos de cana-de-a\u00e7\u00facar e posteriormente produziram caf\u00e9 para exporta\u00e7\u00e3o com m\u00e3o-de-obra escrava. E, a partir da metade do s\u00e9culo XIX, entraram em decad\u00eancia, tendo suas terras divididas e doadas, vendidas ou mesmo abandonadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao que tudo indica, a Fazenda Cambory foi ocupada, por compra e doa\u00e7\u00e3o, por n\u00facleos de escravos que nela trabalhavam. Este n\u00facleo de escravos agregava-se a outros n\u00facleos, vindos de outras regi\u00f5es. O quilombo permaneceu relativamente isolado at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970 quando uma s\u00e9rie de acontecimentos amea\u00e7ou sua perman\u00eancia em suas terras e trouxe mudan\u00e7as para seu modo de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um lado, houve a constru\u00e7\u00e3o da BR 101 que atraiu para a regi\u00e3o grileiros, especuladores e empresas que usaram de todo tipo de viol\u00eancia e subterf\u00fagios para expulsar as comunidades tradicionais da regi\u00e3o, como as dos Quilombos do Camburi e da Ca\u00e7andoca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade foi alvo de diversos processos de grilagem e compras ilegais de posse, derivados da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, 80% do territ\u00f3rio do Quilombo do Camburi estava sob o dom\u00ednio e posse de dois grandes compradores de terra, Francisco Munhoz e Jos\u00e9 Bento de Carvalho, que expulsaram os antigos moradores. Estes se deslocaram para as \u00e1reas mais \u00edngremes, de mais dif\u00edcil acesso, ou se mudaram para outras cidades do litoral paulista, como Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, ocorreu a cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Serra da Bocaina (em 1972) e do Parque Estadual da Serra do Mar\/N\u00facleo Picinguaba (em 1977) nas terras da comunidade, que trouxeram uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica da agricultura e do extrativismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luta pela Terra<\/strong><br \/>\nPara encaminhar a luta pela titula\u00e7\u00e3o de suas terras, os quilombolas fundaram, em 2001, a Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes de Quilombo do Camburi. O processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria foi iniciado pelo ITESP, em junho de 2005, que publicou no Di\u00e1rio Oficial do Estado o relat\u00f3rio t\u00e9cnico-cient\u00edfico reconhecendo a comunidade como quilombola e identificando os limites de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atividades Produtivas<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, a popula\u00e7\u00e3o do Camburi vivia de ro\u00e7as de subsist\u00eancia, da ca\u00e7a, da coleta e da pesca. Alguns produtos excedentes, principalmente o pescado, eram vendidos ou trocados nas cidades de Ubatuba e Paraty por produtos manufaturados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a cria\u00e7\u00e3o do Parque Estadual da Serra do Mar\/N\u00facleo Picinguaba e do Parque Nacional da Serra da Bocaina, na d\u00e9cada de 1970, proibiu-se o extrativismo vegetal. As imposi\u00e7\u00f5es legais de corte de madeira trouxeram danos graves para a comunidade. Os pescadores n\u00e3o puderam mais tirar a madeira para construir suas canoas, dificultando as atividades da pesca. Devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es, o conhecimento e as t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o das canoas acabaram se perdendo. A atividade agr\u00edcola diminuiu tamb\u00e9m consideravelmente, pois, em fun\u00e7\u00e3o dos parques, n\u00e3o foi mais permitida a pr\u00e1tica tradicional do &#8220;pousio&#8221;. Esta t\u00e9cnica consiste em abrir uma clareira em floresta virgem, cultivar a terra durante poucos anos e depois deix\u00e1-la em repouso, por um longo per\u00edodo, para que se reconstitua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1379 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Quilombo-Camburi-Placa-Informativa.jpg\" alt=\"Comunjidade Quilombola - Camburi\" width=\"1280\" height=\"960\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Quilombo-Camburi-Placa-Informativa.jpg 3264w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Quilombo-Camburi-Placa-Informativa-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Quilombo-Camburi-Placa-Informativa-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Quilombo-Camburi-Placa-Informativa-1024x768.jpg 1024w\" data-sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1280px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1280\/960;\" \/>Com as restri\u00e7\u00f5es ambientais impostas pelos parques, as alternativas de subsist\u00eancia e de gera\u00e7\u00e3o de renda dos moradores do Camburi ficaram muito limitadas e insuficientes para garantir a adequada manuten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Atualmente, a pesca \u00e9 a atividade mais importante para a obten\u00e7\u00e3o de alimentos e tamb\u00e9m garante empregos no inverno, quando os pescadores v\u00e3o trabalhar em grandes embarca\u00e7\u00f5es de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artesanato \u00e9 praticado por alguns membros da comunidade, que encontram dificuldades para comercializ\u00e1-lo. Outra alternativa adotada pelos moradores foi trabalhar fora da comunidade, geralmente como caseiros nas casas de veraneio da regi\u00e3o ou em obras da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra sa\u00edda, adotada a partir de 2002, foi o investimento no turismo ecol\u00f3gico. O turismo tal como vinha sendo praticado at\u00e9 ent\u00e3o era desorganizado e trazia malef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o, ao poluir as cachoeiras e rios, al\u00e9m de espalhar o lixo pela praia. Para dar conta dessa situa\u00e7\u00e3o e fazer do turismo uma fonte de sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de gera\u00e7\u00e3o de empregos, a comunidade, com o apoio de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, implementou o projeto<a href=\"https:\/\/www.cpisp.org.br\/comunidades\/html\/brasil\/sp\/litoral_norte\/camburi\/camburi_desenvolvimento.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> &#8220;Ecoturismo e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel: O Passaporte para o Futuro da Comunidade do Camburi&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ecoturismo e Aventura: O<strong> passaporte para o f<\/strong>uturo da comunidade do Camburi<\/strong><br \/>\nLindas paisagens, Mata Atl\u00e2ntica nativa (uma das maiores biodiversidades do planeta), praias de areias brancas e ondas excelentes para o surfe, trilhas para cachoeiras, mirantes e praias desertas, tudo isso voc\u00ea encontra no Camburi. H\u00e1 tamb\u00e9m os passeios de barco que levam a praias, cost\u00f5es, piscinas naturais, locais excelentes para a pr\u00e1tica de mergulho e cachoeiras que des\u00e1guam diretamente no mar. A popula\u00e7\u00e3o local conta com v\u00e1rios guias de ecoturismo treinados, que podem lev\u00e1-lo a todos os cantos do Camburi e fornecer interessantes informa\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria local, a fauna e a flora da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Quilombo Fazenda Picinguaba<\/strong><\/span><br \/>\nA primeira not\u00edcia que se tem da \u201cFazenda Picinguaba\u201d, remonta o final do s\u00e9culo XIX, em 1884, quando faleceu Maria Alves de Paiva, propriet\u00e1ria da Fazenda, e em testamento declarou o desejo que seus escravos fossem libertos e que pudessem habitar em certas \u00e1reas da Fazenda.<img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1371 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-10.jpg\" alt=\"Comunidade Quilombola - Casa da Farinha\" width=\"1280\" height=\"720\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-10.jpg 3264w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-10-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-10-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-10-1024x576.jpg 1024w\" data-sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1280px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1280\/720;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Fazenda Picinguaba possuiu v\u00e1rios propriet\u00e1rios, at\u00e9 que no ano de 1943 seu novo dono Saint Claire, adquiriu parte da Fazenda e nomeou o Sr. Leopoldo Braga o administrador da Fazenda Picinguaba. Leopoldo recebeu a autoriza\u00e7\u00e3o de trazer 12 fam\u00edlias para trabalharem atrav\u00e9s de usufruto, sendo proibidas de vender a arrend<img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1373 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-1-e1473255955389-768x1024.jpg\" alt=\"Comunidade Quilombola - Acesso a Fazenda Picinguaba e Casa da Farinha\" width=\"200\" height=\"267\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-1-e1473255955389-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Casa-da-Farinha-1-e1473255955389-225x300.jpg 225w\" data-sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 200px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 200\/267;\" \/>ar suas terras. Em 1951, a Fazenda Picinguaba foi hipotecada pela Caixa Econ\u00f4mica do Estado de S\u00e3o Paulo e perdurou esse dom\u00ednio at\u00e9 1974, por isso, a Fazenda Picinguaba tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como Fazenda da Caixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1975, o trecho entre Ubatuba e Paraty (RJ) da rodovia Rio-Santos \u2013 BR 101 \u2013 foi constru\u00eddo e no ano de 1979 para controlar as grilagens e invas\u00f5es de terra a Fazenda foi anexada ao Parque Estadual da Serra do Mar. No ano de 2005, a Fazenda Picinguaba recebeu o reconhecimento da Funda\u00e7\u00e3o Palmares como sendo um remanescente de quilombo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Quilombo Sert\u00e3o do Itamambuca<\/strong><\/span><br \/>\nEsta Comunidade Quilombola est\u00e1 na \u00e1rea rural de Ubatuba, em um bairro chamado Sert\u00e3o do Itamambuca ou Casanga. Seus moradores est\u00e3o distribu\u00eddos em aproximadamente 36 casas e somam mais de 100 pessoas. S\u00e3o descendentes de antigos escravos que trabalhavam nas terras do fazendeiro Modesto Antonio Barbosa, que cultivava caf\u00e9 em grande escala, e portanto, acredita-se que possu\u00eda um grande n\u00famero de escravos. A dimens\u00e3o da propriedade \u00e9 poss\u00edvel avaliar atrav\u00e9s das ru\u00ednas ainda existentes no local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1380 size-full lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/\u00c1rea-Quilombola-Sert\u00e3o-do-Itamambuca.jpg\" alt=\"Comunidade Quilombola Sert\u00e3o do Itamambuca\" width=\"1095\" height=\"607\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/\u00c1rea-Quilombola-Sert\u00e3o-do-Itamambuca.jpg 1095w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/\u00c1rea-Quilombola-Sert\u00e3o-do-Itamambuca-300x166.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/\u00c1rea-Quilombola-Sert\u00e3o-do-Itamambuca-768x426.jpg 768w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/\u00c1rea-Quilombola-Sert\u00e3o-do-Itamambuca-1024x568.jpg 1024w\" data-sizes=\"(max-width: 1095px) 100vw, 1095px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1095px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1095\/607;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme relatos de alguns descendentes de seus escravos, com a aboli\u00e7\u00e3o, muitos dos escravos da Fazenda Sert\u00e3o do Modesto continuaram morando e produzindo nas terras da fazenda, principalmente a mandioca, pois foi o produto que veio substituir o caf\u00e9, para a subsist\u00eancia do grupo. De acordo com a certid\u00e3o obtida no Cart\u00f3rio do Registro de Im\u00f3veis da cidade de Ubatuba \u00e9 poss\u00edvel verificar que a fazenda continuaria contando com a presen\u00e7a dos ex-escravos, sob a condi\u00e7\u00e3o do pagamento de renda na forma de dias de trabalhados. O Sert\u00e3o de Itamambuca foi reconhecido oficialmente como Comunidade Quilombola em 18\/11\/2010.<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.cpisp.org.br\/comunidades\/html\/brasil\/sp\/home_sp_lit_norte.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.cpisp.org.br\/comunidades\/html\/brasil\/sp\/home_sp_lit_norte.html<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/fundart.com.br\/tradicao\/comunidades\/quilombos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/fundart.com.br\/tradicao\/comunidades\/quilombos\/<\/a><br \/>\n<span style=\"color: #333399;\"><a style=\"color: #333399;\" href=\"https:\/\/quilombodafazenda.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/quilombodafazenda.org.br<\/a><\/span><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.itesp.sp.gov.br\/br\/info\/acoes\/rtc\/RTC_Sertao_de_Itamambuca.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.itesp.sp.gov.br\/br\/info\/acoes\/rtc\/RTC_Sertao_de_Itamambuca.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje est\u00e3o reconhecidas 4 Comunidades Quilombolas em Ubatuba: Quilombo da Ca\u00e7andoca, Quilombo do Camburi, Quilombo Fazenda Picinguaba e Quilombo Sert\u00e3o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4637,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[492],"tags":[257,292,189,494,293,259,260,493],"class_list":["post-1361","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunidades-quilombolas","tag-cacandoca","tag-camburi","tag-casa-da-farinha","tag-comunidade","tag-itesp","tag-quilombo","tag-quilombola","tag-sertao-do-itamambuca"],"aioseo_notices":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capela-na-Ca\u00e7andoca-1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1361"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9765,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1361\/revisions\/9765"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}