{"id":4712,"date":"2018-03-18T19:06:32","date_gmt":"2018-03-18T22:06:32","guid":{"rendered":"http:\/\/curiosidadesdeubatuba.com.br\/?p=4712"},"modified":"2022-12-03T20:27:23","modified_gmt":"2022-12-03T23:27:23","slug":"costao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/costao\/","title":{"rendered":"Cost\u00f5es Rochosos: Muito mais que um amontoado de pedras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><b>Cost\u00e3o Rochoso: Ecossistema Marinho ou Terrestre?<br \/>\n<\/b>Com certeza voc\u00ea j\u00e1 foi \u00e0 praia e reparou em todas aquelas rochas que ficam, em sua maioria, nas laterais, ao fim da faixa de areia. Muito provavelmente, voc\u00ea tamb\u00e9m j\u00e1 subiu e andou por elas. Mas ser\u00e1 que voc\u00ea realmente as explorou com os olhos de bi\u00f3logo? J\u00e1 parou para pensar e observar quanta vida tem ali? Pois ent\u00e3o, venha com a Bi\u00f3icos conhecer mais sobre esse ecossistema incr\u00edvel que \u00e9 o cost\u00e3o rochoso!<\/p>\n<div id=\"attachment_594\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<figure id=\"attachment_18519\" aria-describedby=\"caption-attachment-18519\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18519\" src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-2.jpg\" alt=\"Prof. Douglas Peir\u00f3 e equipe Bi\u00f3icos ministrando aula em cost\u00e3o rochoso durante curso de Biologia Marinha, Ubatuba (SP). Fonte: Bi\u00f3icos, 2017\" width=\"800\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-2.jpg 800w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-2-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18519\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Prof. Douglas Peir\u00f3 e equipe Bi\u00f3icos ministrando aula em cost\u00e3o rochoso durante curso de Biologia Marinha, Ubatuba (SP). Fonte: Bi\u00f3icos, 2017<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Os cost\u00f5es rochosos<\/b>, assim como manguezais e\u00a0praias arenosas, por exemplo,\u00a0<b>s\u00e3o ecossistemas costeiros encontrados no limite entre o continente e o oceano<\/b>. Apesar disso, as esp\u00e9cies que neles vivem s\u00e3o, basicamente, marinhas e, portanto, s\u00e3o considerados ambientes mais marinhos do que terrestres. Como o nome indica, s\u00e3o formados por afloramentos rochosos que, por sua vez, podem ser estruturados como pared\u00f5es verticais, estendendo-se por v\u00e1rios metros acima e abaixo do n\u00edvel da \u00e1gua, ou como rochas fragmentadas de pequena inclina\u00e7\u00e3o, apresentando, assim, graus variados de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ondas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cost\u00f5es rochosos podem ser encontrados ao longo de quase toda a costa brasileira, estendendo-se desde Torres (RS) at\u00e9 a Ba\u00eda de S\u00e3o Marcos (MA). A maior concentra\u00e7\u00e3o, no entanto, est\u00e1 na regi\u00e3o Sudeste, onde a costa apresenta muitos recortes e a cadeia montanhosa da Serra do Mar est\u00e1 mais pr\u00f3xima em rela\u00e7\u00e3o ao oceano. Desta forma, observa-se uma rela\u00e7\u00e3o entre a presen\u00e7a de cost\u00f5es rochosos e a ocorr\u00eancia de serras pr\u00f3ximas ao Oceano Atl\u00e2ntico. Podemos tomar como exemplo dessa associa\u00e7\u00e3o, no Estado de S\u00e3o Paulo, as cidades de Ubatuba, onde a Serra do Mar encontra-se com o oceano e os cost\u00f5es predominam, e Canan\u00e9ia, onde a serra est\u00e1 mais distante do mar e os ecossistemas predominantes s\u00e3o o manguezal e a restinga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>E onde \u00e9 que est\u00e1 a vida?<br \/>\n<\/b>O cost\u00e3o rochoso \u00e9 o que chamamos de substrato consolidado. Por ser r\u00edgido, \u00e9 um excelente local para a fixa\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e9sseis (aquelas que vivem fixas a um substrato), al\u00e9m de um abrigo seguro contra a for\u00e7a das correntes marinhas e o impacto das ondas. Por isso, voc\u00ea pode at\u00e9 n\u00e3o perceber \u00e0 primeira vista, mas\u00a0<b>o cost\u00e3o rochoso sustenta uma comunidade biol\u00f3gica muito rica e complexa<\/b>. Inclusive, os organismos que nele habitam desenvolveram, ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, formas de vida e adapta\u00e7\u00f5es para sobreviverem nesse ambiente inconstante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido \u00e0 rebenta\u00e7\u00e3o das ondas, muitos organismos precisam se fixar fortemente sobre as rochas ou utiliz\u00e1-las como abrigo. Como exemplo, podemos observar diversas esp\u00e9cies de algas, mexilh\u00f5es, cracas, an\u00eamonas-do-mar e qu\u00edtons, todos utilizando suas respectivas estrat\u00e9gias para se manterem aderidos. Outra adapta\u00e7\u00e3o importante para viver no cost\u00e3o \u00e9 ser pequeno, plano e com \u2018p\u00e9s\u2019 grandes, para evitar se desprender e ser levado pelas ondas, como fazem os moluscos gastr\u00f3podes. Estrelas, pepinos e ouri\u00e7os-do-mar, por sua vez, possuem p\u00e9s com ventosas (conhecidos como p\u00e9s ambulacrais), com os quais se prendem nas rochas. H\u00e1 tamb\u00e9m organismos incrustantes como esponjas, asc\u00eddias coloniais e briozo\u00e1rios, al\u00e9m daqueles com formas arborescentes e flex\u00edveis como hidrozo\u00e1rios e outras esp\u00e9cies de briozo\u00e1rios. Diversas esp\u00e9cies e tipos de corais tamb\u00e9m utilizam as rochas do cost\u00e3o para se fixar e construir seus esqueletos.<\/p>\n<div id=\"attachment_591\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_18518\" aria-describedby=\"caption-attachment-18518\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18518 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-1.jpg\" alt=\"Exemplos de organismos que vivem em cost\u00f5es rochosos. 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Fonte: Parque Estadual Serra do Mar, Funda\u00e7\u00e3o Florestal<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos organismos fixos, esp\u00e9cies de vida livre tamb\u00e9m vivem associadas aos cost\u00f5es, utilizando-os como abrigo ou como locais para procurar alimento. \u00c9 o caso das baratas-da-praia (no ambiente a\u00e9reo), dos caranguejos e dos camar\u00f5es, das lesmas-do-mar, de diversas esp\u00e9cies de peixes e at\u00e9 de tartarugas marinhas, como a tartaruga-verde, que pastoreia nas algas fixadas no cost\u00e3o rochoso. Quanta vida pode haver nos cost\u00f5es! E esses s\u00e3o s\u00f3 alguns exemplos. Existe ainda uma infinidade de organismos associados a eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Distribui\u00e7\u00e3o Vertical: A Zona\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/b>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o impacto das ondas que exige adapta\u00e7\u00f5es dos organismos, eles tamb\u00e9m s\u00e3o adaptados aos efeitos das mar\u00e9s e a fatores bi\u00f3ticos, como competi\u00e7\u00e3o, preda\u00e7\u00e3o e herbivoria. Uma vez que o n\u00edvel da mar\u00e9 muda ao longo do dia, os organismos que vivem na regi\u00e3o mais elevada das rochas precisam estar preparados para resistir a per\u00edodos fora da \u00e1gua, com temperaturas mais elevadas, e receber insola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os organismos que n\u00e3o possuem essa capacidade, no entanto, ficam restritos \u00e0s zonas inferiores, onde est\u00e3o sempre submersos, mesmo durante a mar\u00e9 baixa. Desta forma, os habitantes do cost\u00e3o n\u00e3o vivem sobre ele de forma aleat\u00f3ria. Ao contr\u00e1rio, eles ocorrem em faixas horizontais bem definidas, e esse fen\u00f4meno \u00e9 mundialmente conhecido como\u00a0<b>zona\u00e7\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<div id=\"attachment_592\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_18515\" aria-describedby=\"caption-attachment-18515\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18515 lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de zona\u00e7\u00e3o em cost\u00e3o rochoso. Fonte: adaptado de Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros para Educadores, Rede Biomar, 2016.\" width=\"800\" height=\"800\" data-srcset=\"https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2.jpg 800w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.curiosidadesdeubatuba.com.br\/ubatuba2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/63db52_426b22e2719f4a4c84c48ac2038baecb_mv2-768x768.jpg 768w\" data-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw==\" style=\"--smush-placeholder-width: 800px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 800\/800;\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18515\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o de zona\u00e7\u00e3o em cost\u00e3o rochoso. Fonte: adaptado de Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros para Educadores, Rede Biomar, 2016<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>No geral, s\u00e3o definidas tr\u00eas zonas de distribui\u00e7\u00e3o principais:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><b>Supralitoral<\/b>, regi\u00e3o permanentemente fora d\u2019\u00e1gua, onde chegam apenas borrifos das ondas e onde vivem esp\u00e9cies mais adaptadas \u00e0 perda de \u00e1gua, como caramujos e baratas-da-praia;<\/li>\n<li><b>Mesolitoral<\/b>, regi\u00e3o entremar\u00e9s que fica exposta na mar\u00e9 baixa e submersa na mar\u00e9 alta, onde encontramos as cracas mais acima, os mexilh\u00f5es mais abaixo, qu\u00edtons, moluscos gastr\u00f3podes e at\u00e9 algumas algas; e<\/li>\n<li><b>Infralitoral<\/b>, regi\u00e3o permanentemente submersa, onde vivem esp\u00e9cies que n\u00e3o toleram a desseca\u00e7\u00e3o, como algas, ouri\u00e7os-do-mar, caranguejos e camar\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autores: Julia R. Salmazo, Douglas Peir\u00f3, Thais Semprebom e Regiane Dall\u2019Aqua<br \/>\n<\/strong><em><strong>Artigo t\u00e9cnico postado em: <a href=\"https:\/\/www.bioicos.org.br\/post\/costoes-rochosos-muito-mais-que-um-amontoado-de-rochas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bioicos.org.br\/post\/costoes-rochosos-muito-mais-que-um-amontoado-de-rochas<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p id=\"viewer-4oilr\" class=\"mm8Nw _1j-51 roLFQS _1FoOD _3M0Fe Z63qyL roLFQS public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr\"><span class=\"_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr\"><strong>Bibliografia<br \/>\n<\/strong><\/span><span class=\"_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr\">ALMEIDA, V. F. Import\u00e2ncia dos cost\u00f5es rochosos nos ecossistemas costeiros. Cadernos de Ecologia Aqu\u00e1tica, v. 3, n. 2, p. 19-32, ago.\/dez. 2008.<br \/>\n<\/span><span class=\"_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr\">CARVALHAL, F.; BERHEZ, F. A. S. Cost\u00e3o Rochoso: a diversidade em microescala. Dispon\u00edvel em: &lt;<a class=\"_3Bkfb _1lsz7\" href=\"http:\/\/www.ib.usp.br\/ecosteiros\/textos_educ\/costao\/index2.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-hook=\"linkViewer\">http:\/\/www.ib.usp.br\/ecosteiros\/textos_educ\/costao\/index2.htm<\/a>&gt;. Acesso em: 30 \u200eset. \u200e2017.<br \/>\n<\/span><span class=\"_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr\">GERLING, C.; RANIERI, C.; FERNANDES, L.; GOUVEIA, M. T. J.; ROCHA, V. (Orgs.). Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros para Educadores. Santos: Editora Comunicar, 2016. [Rede Biomar].<br \/>\n<\/span><span class=\"_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr\">MORENO, T. R.; ROCHA, R. M. Ecologia de cost\u00f5es rochosos. Estud. Biol.: Ambiente Divers., v. 34, n. 83, p. 191-201, jul.\/dez. 2012.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cost\u00e3o Rochoso: Ecossistema Marinho ou Terrestre? 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