Corrida de Canoas Caiçara

Com o intuito de elevar a cultura caiçara em Ubatuba, a corrida de canoas é um esporte benéfico à saúde. A modalidade esportiva é tradicional, e faz parte da programação de várias festas na cidade, como por exemplo, a Festa de São Pedro Pescador.

“A corrida de canoa para gente, remador e pescador, tem uma importância cultural e faz parte da nossa raiz. A gente vem remar, mas também vem rever os amigos, todos os remadores de norte a sul. E já faz parte da nossa história. A primeira corrida de canoa aqui em Ubatuba aconteceu em 1957.” (Palavras de Helbert Ramon – presidente da Associação dos Amigos e Remadores da Canoa Caiçara – ARCCA).

História
A primeira prova de canoas, chamada “Nossa Senhora das Dores” foi instituída em 1957 na Enseada do Itaguá. Idealizada pelo Profº Joaquim Lauro que, observando pescadores do cerco flutuante do Cedro remando lado a lado em duas canoas para chegar ao Itaguá, criou o que constitui hoje, uma das principais tradições locais.

Perfeitamente integrado ao bairro onde morava, o professor toda a tarde ia à Praia do Itaguá, onde observava os pescadores do bairro chegar das tarefas diárias e antes de encerrar as suas atividades os remadores aparelhavam suas canoas e diziam: – “Vamos porfia?” (disputar uma corrida) e assim se desafiavam nas águas da baía.

A partir daí, os professores Joaquim Lauro e Enesmar de Oliveira, seguidos de perto por outro rapazote chamado José Odail, criaram a corrida de canoas caiçaras. Esta corrida era feita com canoas de trabalho dos pescadores, e tinha como premiação utensílios diversos que propiciassem melhoria das condições de vida dos concorrentes. Durante muitos anos o grande patrocinador das premiações foi o Sr “Cicillo” Matarazzo que depois viria a ser prefeito de Ubatuba.

Com o tempo a corrida foi se transformando com canoas feitas especialmente para a competição, e com a inclusão de novas categorias como a feminina e a de turistas, e a premiação foi estendida aos últimos lugares que recebiam seu vidro de Biotônico Fontoura.

Novos desafios se apresentaram aos campeões que faziam novas canoas, e remavam até Santos refazendo a jornada histórica do Cacique Cunhambebe com Manoel de Nóbrega, para assinatura do primeiro tratado de paz do Brasil: “Paz de Iperoig” realizada na canoa Maria Comprida, que encontra-se na FundArt.

Além do aspecto esportivo, a competição representa uma das principais manifestações culturais do caiçara ubatubense, atraindo um grande número de apreciadores durante sua realização.

Conheçam as categorias:
– Um remo, categoria Masculino, com um remador com idade acima de 15 anos, inclusive.
– Dois remos, categoria Masculino, com dois remadores com idade acima de 15 anos, inclusive.
– Dois remos, categoria Feminino, com duas remadoras com idade acima de 15 anos, inclusive.
– Três remos, categoria Masculino, com três remadores com idade acima de 15 anos, inclusive.
– Dois remos, categoria Mista ou Unissex, com crianças (meninos e meninas) ou adolescentes com idades entre 08 e 14 anos.

Integrante do cotidiano dos pescadores locais, a corrida de canoas já se tornou um ponto de encontro para famílias e admiradores dessa tradição que se fortalece a cada ano, e o Circuito de Canoa Caiçara percorre durante o ano várias praias de Ubatuba.

Circuito de Corridas de Canoas

As Canoas de Ubatuba
Ubatuba, considerada por muitos como “Terra de Muitas Canoas”, possui uma grande frota desse tipo de embarcação, sendo que mais de 400 foram registradas em 36 praias do município. Algumas delas são, inclusive, famosas na região. São algumas históricas canoas de voga, que se aventuraram sobre o mar no passado e tiveram, em alguns casos, destinos trágicos.

Também as duas vencedoras Marias Compridas: a mais antiga conquistou a vitória na primeira corrida de canoas realizada em Ubatuba e a segunda, sua substituta, foi construída para ser a vitoriosa por anos consecutivos nessas competições. Há ainda a Cunhambebe, a maior de Ubatuba, na qual diz-se caber um fusca dentro, e a Itapuã, a mais antiga, com 95 anos de idade. O fato é que, famosas ou não, seus proprietários devotam grande carinho a elas.

E esse carinho, juntamente das histórias de luta de seus proprietários no mar tornam algumas dessas canoas, a partir deste relato, um pouco mais famosas.

Feitio das canoas
As madeiras utilizadas no feitio são, em ordem de maior uso, o guapuruvu, o ingá, o cedro e a timbuíba18. Aquelas construídas com essas quatro madeiras correspondem a 86% de todas as canoas de Ubatuba. Dentre as outras madeiras utilizadas estão o angelim, a figueira, o louro, o caobi, a canela e a cubirana.

A maioria das canoas de Ubatuba possui sobreproa (75%), mas poucas possuem sobrepopa (25%) e borda-dura (30%). Essa proporção parece estar ligada às condições de navegabilidade da região de Ubatuba, com fortes ondas. Por isso, a proa das canoas necessita ser mais alta, evitando a entrada de água no momento da saída, quando o encontro com as ondas é inevitável.

Você conhece a História da Canoa Maria Cumprida?
Em 1973, no dia 1º de junho, pela primeira vez aconteceu a “Jornada Marítima Ubatuba-Santos”, uma prova com percurso longo, com cinco remadores, porém sem caráter de competição. Mais uma vez, o grande incentivador foi o professor Joaquim Lauro. Comandada por Artur Alexandrino dos Santos, a Maria Comprida foi rasgando as águas com os remos de Carlos Alves de Morais (Carrinho), João Correa Leite (Jango), Antonio Barroso Filho (Barrosinho) e Nilo Vieira, rumo à Santos.

Os cinco remadores faziam parte do Esporte Clube Itaguá.
Percurso, de aproximadamente 215 quilômetros em linha reta, idealizado para lembrar um fato da história do Brasil, a Paz de Iperoig, assinada em 14 de setembro de 1563. Antes de ser estabelecida a paz entre os índios e os portugueses, os índios de nossa região se uniram para combater os portugueses no que foi denominado “Confederação dos Tamoios”, quando então, comandados por Cunhambebe, se deslocavam principalmente até Bertioga nesse tipo de canoa.

Canoa Maria Comprida

Em comemoração aos 410 anos da Paz de Iperoig, foi realizada a viagem da canoa Maria Comprida de Ubatuba a Santos. A saída da Maria Comprida foi no dia 1º de junho, às 4h 45min, tripulada pelos cinco remadores, em frente à Capela Nossa Senhora das Dores no Itaguá, chegando em São Sebastião às 13h05 do mesmo dia. De lá saíram às 04h15, chegando em Bertioga às 14h45 do dia 2 de junho. De Bertioga continuaram a viagem, saindo às 06h30 e chegando finalmente à Santos às 10h15 do dia 3 de junho, atracando na Ponta da Praia, em frente ao Clube de Regatas Saldanha da Gama.

Canoa Maria Comprida

Em 1975, a Maria Comprida volta ao mar para fazer a trajetória Ubatuba-Parati, cidade sul fluminense, com o objetivo de incentivar remadores da região para participarem das corridas de canoa realizadas em Ubatuba. Tripulada por Artur, Carrinho, Salvador Mesquita dos Santos, Barrosinho e João Grande, Maria Comprida deixou a cidade às 05h35 e às 17h15 estava atracando em um pequeno porto ao lado da Igreja Matriz de Parati.

Anos mais tarde, o Tamoios Iate Clube adquiriu a canoa, já bastante danificada, e posteriormente o Comodoro José de Magalhães Netto cedeu a Maria Comprida à FundArt. Em agosto de 1997, a canoa finalmente foi restaurada e no dia 15 do mesmo mês a doação foi oficializada, ficando a Maria Comprida em exposição no Centro de Informações Turísticas na Avenida Iperoig. Nesse mesmo dia, os remadores foram homenageados pela FundArt e pela Prefeitura Municipal de Ubatuba.

Fontes de informações:
https://fundart.com.br/cultura-e-esporte-corrida-de-canoas-caicaras-acontece-neste-domingo-em-ubatuba/
https://www.facebook.com/AARCCAFOTOS
e-book: Com quantas memórias se faz uma canoa – http://www.pesnochao.org.br/memorias/