Sobradão (Casarão) do Porto

Além das belezas naturais, Ubatuba guarda um pedaço significativo da história do Brasil. O Sobradão do Porto é o único casarão que restou dos áureos tempos do café na segunda metade do século XIX em Ubatuba.

Imagem aérea de @brunoamirimagens

É um lugar que transpira um passado de prosperidade e glória de uma cidade que já abrigou o porto mais importante do país. Quando aberto à visitação, oferece espaço para exposições de arte, artesanato, fotografia, além de oficinas culturais, cursos e concursos que incentivam a produção artística, o resgate e valorização da cultura caiçara e suas tradições.

Principal patrimônio histórico de Ubatuba, o Sobradão do Porto está localizado na Praça Anchieta, nº 38, no início da Rua Balthazar Fortes, no centro da cidade.

O prédio foi erguido em 1846, por um rico comerciante, fazendeiro, plantador de café, proprietário de uma vasta área da região litorânea, o armador português Manoel Baltazar da Cunha Fortes, que aportou no Brasil com a vinda da Família Real, em 1808. Surge, então, um imponente sobrado nas proximidades do porto, nas cercanias da foz do Rio Grande. Composto por dois andares superiores era de fato uma arquitetura inovadora.

O primeiro pavimento servia como um rústico armazém, onde se guardavam e negociavam sacas de café, algodão, fumo, cana-de-açúcar e aguardente que circulavam na época, tanto produzida em Ubatuba como em toda região do Vale do Paraíba. Já o segundo andar foi utilizado como residência por sua numerosa família.

Sobradão do Porto

Baltazar faleceu por volta de 1874 e deixou o Sobradão para uma de suas seis filhas, Dona Benedita Fortes Costa, que manteve a majestade do prédio até mesmo durante o período de decadência econômica da cidade, quando o Porto de Ubatuba foi desviado para Santos, com a construção da estrada de ferro que interligou São Paulo ao Rio de Janeiro ao longo do Vale do Paraíba. Neste período muitos casarões da elite local foram abandonados.

Sobradão do Porto

Com o tempo, praticamente todos ruíram ou foram demolidos, com exceção do Sobradão do Porto, que ficou fechado durante um longo período, e após a chegada em Ubatuba em 1926 de Júlio Kerkis, húngaro, refugiado do regime comunista, transformou o casarão em hotel e no restaurante Budapest.

Dois anos depois, o edifício foi vendido pelo herdeiro Oscar Costa à Companhia Taubaté Industrial – CTI, de Félix Guisard. Data dessa época o maior número de alterações sofridas no edifício e na área vizinha, onde foram construídas pequenas casas, que serviam de Colônia de Férias aos funcionários da CTI.

Em 1959, o Sobradão do Porto foi tombado pela Secretaria do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Arquitetônico Nacional – SPHAAN. Mais tarde o valor histórico e arquitetônico do Sobradão do Porto também foi reconhecido com o tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo – CONDPHAAT.

Imagem antiga ainda com as estátuas em sua cobertura (*)

Em 1981, o Sobradão foi desapropriado pela Prefeitura Municipal e, em 1987, tornou-se a sede administrativa da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba – FundArt.

(*) Nota: Um desafio tem sido a busca por possíveis informações das quatro estátuas que decoravam a fachada do antigo prédio do Casarão. Trata-se de um conjunto denominado “Quatro Estações” que infelizmente desapareceram em meados da década de 80. As peças possuem por volta de 80 cm e o nome das estações do ano gravado na base.

Fonte: https://fundart.com.br/dt_portfolio/sobradao-do-porto/