A Praia do Estaleiro está localizada a 33 Km do centro de Ubatuba e o acesso é por via secundária de terra batida, na altura do Km 15,3 da rodovia Rio-Santos. E após aproximadamente 1 Km beirando um manguezal, chega-se à praia onde é comum o tráfego de veículos na orla.

É um praia extensa, muita tranquila, com bastante natureza, e uma faixa de areia compacta, escura, com aproximadamente 1,5 Km de extensão, mar calmo, próprio para famílias com crianças e acesso náutico.
A praia que também é conhecida pela comunidade local como Praia do Estaleiro do Padre, tem no canto esquerdo uma costeira rochosa arborizada, onde situa-se a Vila do Mar, e no lado direito, temos o rio Ubatumirim que faz a divisa com a Praia do Ubatumirim.

Da Praia do Estaleiro é possível avistar as Ilhas da Pedra, Redonda, do Negro (ou da Pedra), das Couves, dos Porcos e Prumirim.

Estão disponíveis alguns quiosques rústicos na beira da praia, e ao amanhecer e entardecer avistam-se os pescadores com suas embarcações, sendo que às vezes, eles vendem seu pescado ali mesmo na praia. É uma típica vila de pescadores.

A Ilha do Negro (ou Ilha da Pedra)
Localizada bem a frente da Praia do Estaleiro, a origem do nome remete a um passado sombrio de nossa história. Dizem os antigos, que os senhores do engenho, deixavam os escravizados neste pequeno espaço para puni-los, porém não é claramente documentada, e não há evidências que confirmem que a ilha tenha sido utilizada para castigar pessoas negras.
A origem do nome da praia
A praia é conhecida como Praia do Estaleiro do Padre, pois teve um frei franciscano de nome Pio Populin, nascido em Buia, nordeste da Itália e imigrou para o Brasil em meados dos anos 1960. Frei Pio chegou em Ubatuba em 24 de julho de 1966. Ao percorrer os bairros, praias e sertões da região, foi no Ubatumirim que o frei encontrou seu propósito mais urgente: uma comunidade caiçara que vivia isolada, sem acesso fácil a médicos, remédios ou mercados, dependente de canoas rudimentares para chegar ao centro da cidade.
Movido pela missão franciscana e pela proximidade com aquele povo, Frei Pio construiu o Estaleiro no qual foi fabricado o pequeno barco Anita, embarcação que passou a transportar as pessoas da comunidade, dando-lhes a possibilidade de trazer os frutos de sua terra e o produto de sua pesca para a cidade. A praia, desde então, passou a ser chamada carinhosamente de Estaleiro do Padre pela comunidade local e o nome jamais saiu.
Frei Pio também construiu em Ubatuba um posto de saúde, a creche Francisquinho, a Igreja São Francisco de Assis e um lindo asilo. Dedicou mais de 44 anos a fazer o bem nessas terras. Faleceu em 18 de novembro de 2009, aos 96 anos, deixando uma cidade diferente da que encontrou.

História – Cemitério Centenário do Ubatumirim
Contam os moradores que além de todo o motivo familiar para as visitas ao local, o Cemitério Centenário do Ubatumirim que fica na Praia do Estaleiro, também é tido como uma atração turística, pois, além de estar próximo à praia e ter personalidades da história de Ubatuba sepultadas no local, ainda há o fato de ser centenário e ter recebido todos os escravizados falecidos da região. O acesso é no canto esquerdo da praia, entrando em uma via ao lado do quiosque do Jeremias, passando pelo Coletivo Neos (Instituto de Sócio Biodiversidade) antes de chegar ao cemitério.

A existência desse cemitério é, por si só, um documento. Ela revela que antes dos turistas, antes da rodovia Rio-Santos, antes das pousadas, aquela faixa de areia já era habitada, já carregava luto e celebração, já era comunidade.

No início de 2018, a Prefeitura de Ubatuba entregou obras de benfeitorias no Cemitério Centenário. Dentre as melhorias tivemos a melhora de seu acesso, que antes só era feito a pé através de trilha, o que gerava transtornos para as famílias nos cortejos fúnebres e agora veículos motorizados já podem transitar até o local. Antigos moradores dizem que o cemitério era muito visitado, e que na data de Finados (02/11), chegavam muitas pessoas de carro ou em embarcações, e era comum ter até “fila” que se estendia do cemitério até a praia.
Fonte de Informações:
A praia que um padre italiano batizou: o paraíso preservado que poucos brasileiros conhecem — e que pode mudar sua ideia sobre o litoral paulista – Portal LN21+